sexta-feira, 11 de junho de 2010

Uma observação trivial

Fazer uma observação trivial é um modo de buscar a concórdia. Concluir o óbvio, portanto, não implica necessariamente uma incapacidade de pensar profundo, mas tão-somente um medo atroz de ser julgado.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Investimento privado em pesquisa

Há uma preocupação natural com crescimento das universidades privadas: Elas 'consomem' profissionais com formação em ciência básica, mas não contribui para formá-los. Universidades privadas geralmente não têm cursos de biologia, física, matemática ou química, de modo que o aumento do número de pessoas com nível superior no Brasil não seria acompanhado com um aumento no nível da pesquisa científica desenvolvida aqui.

Mas tem uma proposta interessante. Obrigar as universidades privadas a 'doarem' parte do seu lucro para uma fundação de fomento à pesquisa. Vi essa notícia no Jornal da Ciência e transcrevo aqui uma parte do texto:
Projeto de Lei do Senado obriga as instituições de ensino superior privadas a constituir a Fundação de Pesquisa Universitária, destinada a promover o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas

De acordo com a proposta original, do senador Hélio Costa (PMDB-MG), a fundação seria mantida com contribuição oriunda de 2% do faturamento bruto das universidades, faculdades e institutos de educação superior e 3% do faturamento bruto dos centros universitários.


[...] a fundação teria sede em Brasília, mas poderia manter centros de pesquisa em qualquer parte do território nacional. A Fundação de Pesquisa Universitária deveria, ainda, destinar recursos para entidades públicas ou privadas de fomento à pesquisa científica e tecnológica e atuar na formação e aperfeiçoamento de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia, além de prestar serviços de natureza tecnológica a instituições privadas ou públicas.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Crítica à Marcelo Gleiser

Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Acho que o sucesso que o Marcelo Gleiser faz por aqui como divulgador científico tem a ver com não haver no Brasil uma divulgação científica de alto nível (DEFINIÇÃO: Alto nível = Sagan, Asimov, Penrose, ...).

Li e gostei muito d'A Dança do Universo. Depois que li outros livros, pecebi que os exemplos que ele dá estão em qualquer livro, que não há ali nenhum ponto de vista, nada de novo. Como escritor, ele é tão competente quanto um tradutor (quer dizer: tem lá seu talento, é claro, mas não é propriamente um autor). O prazer que me deu a leitura se explica pela minha ignorância. Suporte para essa idéia é eu ter lido anos depois O Fim Da Terra E Do Céu, Cartas A Um Jovem Cientista, e parte dos Retalhos Cósmicos... Tentei ler as colunas na Folha também, mas me entediei logo: tudo lugar-comum.

Mas eu gosto do trabalho dele. Faz algo que deve ser feito no Brasil. Quando eu pensei em ser físico aos 14 anos de idade, me preocupava a idéia de que o único físico vivo que eu conhecia era o Stephen Hawking. Eu não sabia o que os físicos faziam. Tinha a impressão de que não havia físicos no Brasil. Talvez hoje, os programas do Fantástico que o Marcelo fez ajude alguém a pelo menos saber que há pesquisas sendo feitas hoje. Até que apareça algo melhor, o Marcelo Gleiser faz um excelente trabalho aqui...

... aqui, só aqui!

Por aí pelo mundo, não há muito espaço para os lugares-comuns. Não vi o novo livro dele, mas li reportagens sobre o assunto, declarando a tese principal, a de que talvez não exista uma Teoria Unificada e que talvez esta busca esteja fadada ao fracasso. (Aliás, pelas resenhas, supus que não havia idéia nova: o que ele afirma parece basicamente idêntico ao que Lee Smolin afirma na sua crítica à teoria de cordas.... mas eu de fato não sei, é só um preconceito!)

Como disse, eu não li o livro, de modo que não posso mesmo falar sobre isso. Mas escrevi esta postagem para dar este link aqui. É uma crítica feroz de Lubos Motl ao livro (e ao próprio Marcelo, que tem suas publicações analisadas por Lubos, o que resulta em um comentário maldoso: "O cara é um idiota. É um exemplo da fábula 'A Raposa E As Uvas', em que uma raposa tenta pegar três uvas, falha, e decide que as uvas eram azedas. Gleiser afirma que tendo ele próprio fracassado como um indivíduo, toda a física deve fracassar também.").

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Melô do recém-doutor

(Loteria da Babilônia - Raul Seixas/Paulo Coelho)

Você tem as respostas
Das perguntas
Resolveu as equações
Que não sabia [...]

Tudo o que tinha
Que ser chorado
Já foi chorado
Você já cumpriu
Os doze trabalhos [...]

Mas o que você
Não sabe por inteiro
É como ganhar dinheiro [...]

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Abusurdos me fariam feliz...

Fazer um desenho nas costas da mão
Despir a consciência das dores morais
...
Viajar sob a lua que varre os sertões
Uma ostra chilena, um beijo em Paris
Se cortasse o cabelo e mudasse o nariz
Se Vital escrevesse a constituição
Se eu nunca quisesse quem nunca me quis
Ser dois e ser dez e ainda ser um
Se a vingança apagasse a dor que eu senti
Ser seco, ser reto, isento à moral
Se eu nunca lembrasse o estrago que eu fiz
Tudo isso me faria feliz
Absurdos me fariam feliz!
...

* (Bi Ribeiro/Herbert Vianna)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Internet Banda Larga pode custar menos do que R$ 35,00

O governo quer criar um programa que garanta acesso à internet banda larga com preços acessíveis, afirmou nesta quinta-feira (18/3) o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, [...]. De acordo com ele, estão sendo discutidos preços na faixa de R$ 25 a R$ 35 por mês.[...] O ministro também afirmou que a utilização da cabos de eletricidade está sendo testada pelas distribuidoras de energia elétrica e pode ser mais uma opção de acesso à banda larga com preço menor.[...] Para o ministro, o Plano de Banda Larga, que está sendo elaborado pelo governo, deve ser aprovado pelo Congresso Nacional com rapidez.


P.S. Leia mais no Jornal da Ciência nº 3971, de 18 de Março de 2010, de onde este trecho foi copiado ipsis litteris.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Poeta

Gosta de poesia? O rapaz não entendeu a frase e virou-se pra pedir pra repetir, mas quando viu o poeta com o braço estendido e um papel na mão, fez um gesto negativo com a cabeça e seguiu seu caminho.

Gosta de poesia? Outro rapaz passou como se nada tivesse ouvido.

Gosta de poesia? Uma das duas moças que passavam rindo pegou o folheto que o poeta sacudia à sua frente e seguiu seu caminho, mas o homem apressou-se e elevou a voz. Só peço uma colaboração. A moça voltou dois passos e devolveu o folheto e pôs no rosto um sorriso desajeitado, moveu a cabeça de um lado para o outro e segiu com a amiga. Voltaram a rir depois de sete passos.

Gosta de poesia? A moça espantou-se com a abordagem súbita e virou-se para ver do que se tratava. Ergueu a mão aberta e a deixou parada no ar, indicando para ele parar o quer que estivesse fazendo. Voltou a caminhar na direção que seguia antes da perturbação.

Gosta de poesia? O rapaz pegou o folhetim e tencionava seguir. Mas o poeta o parou tocando lhe o ombro levemente. Só peço uma colaboração. O rapaz entregou o folhetim à moça que o acompanhava e tirou da carteira umas moedas, que entregou ao pedinte.

Poesia? Gosta de poesia? ...

Em cinquenta minutos o homem tinha conseguido apenas umas moedas que somavam menos de R$ 1,00. Haveria ali poesia?

Dizem que o dinheiro muda as pessoas. A falta, também. E, se mudamos com ou sem, nomear e classificar os agentes da mudança parece um mero exercício fútil que nos propomos para ocupar a mente.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A sinceridade é uma virtude?

A sinceridade ao falar de si só é reconhecida como virtude no homem medíocre. Naquele melhor do que a maioria, a sinceridade é tomada por arrogância; e no homem ruim, essa mesma sinceridade não é nada mais do que sem-vergonhice.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Médico e o Monstro

Recomendo o último capítulo do Dr. Jekyll and Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson... Não que o resto do livro não seja bom, mas é que sendo uma história muito conhecida, o mistério que se constrói ao longo do livro não cativa, já que sabemos a solução desde o início. Por outro lado, o último capítulo é praticamente um ensaio sobre a natureza humana e vale a pena ser lido, mesmo que já se conheça a trama.... aliás, se alguém ainda não conhece a solução do mistério, sugiro que leia logo o livro antes que alguma reportagem, filme ou conversa de bar estrague o prazer desta leitura! E, novamente: Mesmo que já conheça a história por outros meios, não deixe de ler o último capítulo, que não demora nada e juro que não há inconvenientes em começar a leitura neste ponto!