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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Enfim, uma divergência...

Uma coisa que eu acho complicada em política é que não votamos de fato nas propostas. Votamos no caráter, e isso é muito difícil de julgar. Usamos nossos preconceitos e a intuição, muito mais do que de fato o pensamento. Se os candidatos tivessem visões opostas, poderíamos usar nosso conhecimento de mundo para decidir como gostaríamos que fosse, e caberia a eles, nos debates, argumentar que o seu modelo é melhor.

Mas não é isso que em geral acontece. Se tomarmos cada um dos planos de governo, veremos que são todos bons. Não há uma divergência clara. Se perguntados sobre universidades, todos concordam que vão investir lá. Nenhum se atreve a dizer, por exemplo, que cuidarão mais do ensino básico, pois assim arriscam perder uma parte do eleitorado que acredita no ensino superior. Não se colocam explicitamente a favor ou contra algo concreto, como o aborto, ou células-tronco, ou pena de morte, por exemplo. (Se o fazem, é só quando a imensa maioria dos eleitores comprovadamente concordam... e nesse caso, todos os candidatos são explicitamente a favor ou contra a mesma coisa).

Assim, quando votamos, o que estamos tentando fazer é acertar quem diz a verdade e quem mente. Analisamos as propostas não buscando descobrir qual a melhor. Buscamos qual parece mais verossímil. São todas boas, disso dificilmente se discorda. Assistimos aos debates para ver quem tem mais segurança, quem tem respostas melhores, quem tem a ficha limpa, enfim, quem é digno de nossa confiança. Não tentam nos convencer de que ensino básico é mais importante do que o superior, ou vice-versa. Dizem nos debates que tudo é importante, não escapa nada. Quando analisamos o passado dos candidatos, é para saber mais sobre seu caráter. E nos ataques, é a credibilidade que atacam e não o plano de governo.

E é por esse motivo que achei legal o artigo que transcrevo abaixo, parcialmente. A íntegra pode ser lida no Jornal da Ciência.

Dilma defende profissionalização integrada ao ensino médio regular; Serra propõe curso puramente técnico.

Tanto Dilma Rousseff (PT) quanto José Serra (PSDB) defendem a multiplicação do ensino profissionalizante. Ela promete abrir escolas técnicas nas cidades com mais de 50 mil habitantes. E ele, criar 1 milhão de vagas.


Uma maravilha... E quem dirá que um ou outro tem um plano ruim? Digam-me se não são ambas as propostas maravilhosas... Bom, voltamos ao texto, que diz


Embora pareçam concordar plenamente nesse ponto, Dilma e Serra em nenhum momento avisaram ao eleitor que suas concepções de ensino técnico são bem diferentes, quase opostas.


Viram só!? É justamente o que eu disse, não? Quando de fato há uma divergência clara, escondem... Hehehe, desculpem a interrupção: quando o assunto é política, interromper o outro que fala é compulsivo....


Ela propõe que a escola tenha cursos técnicos misturados com o ensino médio (antigo 2º grau). O aluno faz um só curso e tem dois diplomas. Ele defende que a escola tenha exclusivamente cursos técnicos. Para entrar, o aluno deve já ter concluído ou ao menos estar cursando (em outra escola) o ensino médio.


Dilma se espelha nas escolas técnicas federais. Serra, nas estaduais de São Paulo. Especialistas em educação encontram vantagens e desvantagens em cada modelo.


"Não é um mero treinamento de habilidades. O aluno aprende [no médio] as bases científicas e epistemológicas do conhecimento [técnico]. Não é só fazer; é pensar. É uma formação mais completa", diz Remi Castioni, professor da Faculdade de Educação da UnB.


Por outro lado, a escola técnica do PT tem mais dificuldade para atualizar seus currículos. Qualquer mudança exige adaptações também na grade do ensino médio.


O modelo de Serra é mais barato. Uma vez que não há ensino médio e os cursos são rápidos (um ano e meio, ante os quatro anos do ensino integrado), é preciso ter menos professores e salas de aula. A expansão é mais fácil.


Entretanto, a falta do ensino médio integrado obriga os jovens que não têm diploma médio a fazer dupla jornada: no colégio de manhã e na escola técnica à tarde.


"O modelo de SP tem preocupação excessiva com reduzir custos. A formação do estudante é aligeirada. Os professores não conseguem desenvolver bem seus programas", diz Maria Sylvia Bueno, professora da Unesp e organizadora de um livro sobre as escolas técnicas de SP.

PT menciona qualidade, e PSDB, pobres

(Ricardo Westin)

(Folha de SP, 11/10)



... Eu cortei um bocado o texto, e não diria que busquei imparcialidade no processo. Mas leiam a reportagem na íntegra, na fonte que eu dei. Com isso, se pode tirar conclusões além do julgamento de caráter...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cientistas não conhecem Shakespeare; Humanistas não conhecem Termodinâmica

Gostaria de publicar aqui trechos de um artigo escrito por João Moreira Salles (documentarista e professor da PUC-Rio). O artigo publicado na "Folha de SP", em 07 de junho, acho que no caderno "Ilustríssima", e pode ser lido online na íntegra na edição de 8 de junho do Jornal da Ciência, sob o título "Um documentarista se dirige a cientistas", ou no site da Academia Brasileira de Ciências, onde Salles discursou. O texto é principalmente uma crítica à sociedade brasileira que supervaloriza as artes e a desvalorização das ciências exatas. Para a maioria, são considerados 'intelectuais' os jornalistas, cineastas e sociólogos, enquanto as ciências exatas amargam uma posição sem status e até mesmo marginal.

Abaixo, o que considerei mais interessante do artigo aparece editado e grifado por mim. Por ser um texto muito bom, não pude cortar muito, mas consegui, a grandes custos, reduzir um pouco para abreviá-lo.

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Sou ligado ao cinema documental e, mais recentemente, ao jornalismo, atividades que, se não são propriamente artísticas, decerto existem na fronteira da criação. Jornalismo não é literatura nem documentário é cinema de ficção. Nosso capital simbólico é muito menor e nosso horizonte de possibilidades é limitado pelos constrangimentos do mundo concreto.


Não podemos voar tanto, e essa é a primeira razão pela qual, com notáveis exceções, o que produzimos é efêmero, sem grande chance de permanência. Não obstante, é fato que minhas afinidades pessoais e profissionais estão muito mais próximas de um livro ou de um filme do que de uma equação diferencial.


Em 1959, o físico e escritor inglês C.P. Snow deu uma palestra sobre a relação entre as ciências e as humanidades. Snow observou que a vida intelectual do Ocidente havia se partido ao meio.


De um lado, o mundo dos cientistas; do outro, a comunidade dos homens de letras, representada por indivíduos comumente chamados de intelectuais, (um termo sequestrado pelas humanidades e pelas ciências sociais, segundo Snow).


Aos artistas, interessaria refletir sobre a precariedade da condição humana e sobre o drama do indivíduo no mundo. O interesse dos cientistas, por sua vez, seria decifrar os segredos do mundo natural e, se possível, fazer as coisas funcionarem. Como frequentemente obtinham sucesso, não viam nenhum despropósito na noção de progresso.


Na qualidade de cientista e homem de letras, Snow se movia pelos dois mundos, cumprindo um trajeto que se tornava cada vez mais penoso e solitário. Ele concluiu que a falta de diálogo fazia mais do que partir o mundo em dois. A especialização criava novos subgrupos, gerando células cada vez menores que preferiam conversar apenas entre si.


Seria um desperdício não haver comunicação com com matemáticos, por exemplo, pois a matemática, para além dos seus usos, é guiada por um componente estético, por um conceito de beleza e de elegância que a maioria das pessoas desconhece.


O que move os grandes matemáticos e os grandes artistas, desconfio, é um sentimento muito semelhante de síntese e ordem. Os dois grupos teriam muito a dizer um ao outro, mas, até onde sei, quase não se falam. (No passado, o poeta Paul Valéry deu conferências para matemáticos e o matemático Henri Poincaré falou para poetas.)


Segundo Snow, com a notável exceção da música, não há muito espaço para as artes na cultura científica: "Discos. Algumas fotografias coloridas. O ouvido, às vezes o olho. Poucos livros, quase nenhuma poesia."


Talvez seja exagero, não saberia dizer. Posso falar com mais propriedade sobre a outra parcela do mundo, e concordo quando ele diz que, de maneira geral, as humanidades se atêm a um conceito estreito de cultura, que não inclui a ciência.


Os artistas e boa parte dos cientistas sociais são quase sempre cegos a uma extensa gama do conhecimento. Numa passagem famosa de sua palestra, Snow conta o seguinte: "Já me aconteceu muitas vezes de estar com pessoas que, pelos padrões da cultura tradicional, são consideradas altamente instruídas. Essas pessoas muitas vezes têm prazer em expressar seu espanto diante da ignorância dos cientistas. De vez em quando, resolvo provocar e pergunto se alguma delas saberia dizer qual é a segunda lei da termodinâmica. A resposta é sempre fria - e sempre negativa. No entanto, essa pergunta é basicamente o equivalente científico de 'Você já leu Shakespeare?'. Hoje, acho que se eu propusesse uma questão ainda mais simples - por exemplo: 'Defina o que você quer dizer quando fala em 'massa' ou 'aceleração'', o equivalente científico de 'Você é alfabetizado?' -, talvez apenas uma em cada dez pessoas altamente instruídas acharia que estávamos falando a mesma língua".


O que eu teria a dizer sobre ciência fica perto do zero. Por outro lado, como especialista na minha própria ignorância, posso discorrer sobre ela sem embaraços. Com as devidas ressalvas às exceções que devem existir por aí, estendo minha ignorância a todo um grupo de pessoas e me pergunto de quem seria a responsabilidade por sabermos tão pouco sobre as leis que regem o que nos cerca.


As respostas são previsíveis. Em parte, a responsabilidade é dos próprios cientistas, que não fazem questão de se comunicar com a comunidade não-científica; em parte é dos governos, que raramente têm uma política eficaz de promoção da ciência nas escolas; e em parte - e essa é a parte que mais me interessa- é nossa, das humanidades, que tomamos as ciências como um objeto estranho, alheio a tudo o que nos diz respeito.


A quase totalidade dos personagens de classe média da literatura e do cinema brasileiro contemporâneos pertence ao mundo dos artistas e intelectuais. São jornalistas, escritores (geralmente em crise e com bloqueio), professores (quase sempre de história, filosofia ou letras), antropólogos, viajantes (à deriva), cineastas, atores, gente de TV ou filósofos de botequim. Quando muito, um empresário aqui, um advogado acolá. Cientistas são pouquíssimos, se bem que no momento não me lembro de nenhum.


--> [LIB: Uma exceção que me ocorre agora é o filme O Maior Amor do Mundo, de Cacá Diegues, mas ainda que achássemos outras 10, sequer arranharíamos o argumento de Salles!]

É como se, do lado de fora das disciplinas criativas, não houvesse redenção. Em "Cidade de Deus", o menino escapa do ciclo de violência quando recebe uma máquina fotográfica e vira fotógrafo. Não parece ocorrer a ninguém -nem aos personagens, nem ao público- a possibilidade de ele virar biólogo, meteorologista ou mesmo técnico em ciência.


Uma das minhas obsessões é folhear a revista dominical do jornal "O Globo". Existe ali uma seção na qual eles abordam jovens descolados na saída da praia, de cinemas, lojas e livrarias, para conferir o que andam vestindo. No pé da imagem, informa-se o nome e a profissão da pessoa.


Acompanho essas páginas há um bom tempo, e estatisticamente o resultado é assombroso. Conto nos dedos o número de engenheiros, médicos ou biólogos que vi passar por ali. Eles não podem ser tão malvestidos assim. De duas, uma: ou são relativamente poucos, ou a revista prefere destacar as profissões que considera mais charmosas.


As duas alternativas são muito ruins, mas a segunda me incomoda particularmente, pois sei por experiência como é poderosa a atração exercida por algumas profissões com alto cachê simbólico.


Existem no Rio quatro universidades que oferecem cursos de cinema; no Brasil, são ao todo 28, segundo o Cadastro da Educação Superior do MEC. No ano passado, a PUC-Rio formou três físicos, dois matemáticos e 27 bacharéis em cinema.


Existem 128 cursos superiores de moda no Brasil. Em 2008, segundo o INEP, o país formou 1.114 físicos, 1.972 matemáticos e 2.066 modistas. Alimento o pesadelo de que, em alguns anos, os aviões não decolarão, mas todos nós seremos muito elegantes.


Segundo dados de um relatório do IEDI, a taxa de formação de engenheiros no Brasil é inferior à da China, da Índia e da Rússia, países emergentes com os quais competimos.


Compramos coisas que foram pensadas lá longe, as quais serão brevemente superadas por outras coisas que também não terão sido pensadas aqui. É um processo estéril. Escritores, cineastas e editores de suplementos dominicais se espantariam em saber que, na China, a proficiência em matemática desfruta de uma forte valorização simbólica.


Na Índia, um jovem programador de software se sente no topo do mundo.


Enquanto isso, como lembra o matemático César Camacho, diretor do IMPA, várias universidades brasileiras têm vagas abertas para professores de matemática, não preenchidas por falta de candidatos. A valorização das ciências entre nós é pífia. Sempre me espanto com a presença cada vez maior de projetos sociais que levam dança, música, teatro e cinema a lugares onde falta quase tudo.


Nenhuma objeção, mas é o caso de perguntar por que somente a arte teria poderes civilizatórios. Ninguém pensa em levar a esses jovens um telescópio ou um laboratório de química ou biologia? Centenas de estudantes universitários gostariam de participar de iniciativas assim.


É imprudente tomar uma decisão definitiva aos 18 anos de idade, mas é exatamente o que têm de fazer os alunos ao entrar na universidade - embora, como norma, eles não saibam para o que têm vocação.


Se em algum momento a vocação se manifesta, em geral o aluno e sua família consideram que é tarde. Circunstâncias econômicas ou psicológicas dificultam muito um ajuste de rota. (Começar de novo exige determinação férrea... Sei bem como é, porque foi o meu caso.)


É absolutamente certo que, neste momento, alguns milhares de jovens estão prestes a cometer o mesmo equívoco.


Muitos se revelarão apenas medianos ou preguiçosos, e é provável que a ciência não tenha como alcançá-los. Sem desmerecer os excelentes alunos de cinema, letras ou sociologia, é impossível negar que, para alguém sem grande talento ou dedicação, será sempre mais fácil ser medíocre num curso de humanas do que num de exatas.


Alguns desses jovens sem orientação provavelmente terão inclinação para as ciências e ainda não descobriram. É preciso criar mecanismos que os ajudem a escolher o caminho certo. Infelizmente, as artes e as humanidades, pelo menos por enquanto, não colaboram muito. Ao contrário. Nós disputamos esses jovens e, infelizmente, até aqui estamos ganhando a guerra.

sábado, 29 de agosto de 2009

Escola romana

Sobre a escola e seu papel na civilização romana, disse Paul Veynes, em História da Vida Privada:
[Os meninos estudavam] para adornar o espírito, para se instruírem nas belas-letras. Constitui estranho erro acreditar que a instituição escolar se explica, através dos séculos, pela função de formar o homem ou, ao contrário, adaptá-lo à sociedade; em Roma não se ensinavam matérias formadoras nem utilitárias, e sim prestigiosas e, acima de tudo, a retórica. É excepcional na história que a educação prepare o menino para a vida [...] Em Roma, decorava-se com retórica a alma dos meninos, assim como no século XIX vestia-se essas criaturinhas de marinheiros ou militares.

[... Na escola] começa a haver escritores "clássicos", assim como com as "leis" do turismo haverá lugares que será necessário visitar, monumentos que não se pode deixar de ver. A escola forçosamente ensinará a todos os notáveis atividades prestigiosas para todos, mas que interessam a pouca gente [...] E, como uma instituição logo se considera um fim em si mesma, ensinará principalmente, e dirá clássico, o que é mais facilmente ensinável; desde os tempos de Atenas clássica, a retórica soube elaborar uma doutrina mastigada e pronta para ser ensinada. Assim, os jovens romanos de doze a dezoito ou vinte anos aprendiam a ler os clássicos, depois estudavam a retórica. E o que é retórica?

Não uma coisa útil, que contribui com algo para a "sociedade".
Não admira que no início da Era Cristã - quando o Império Romano esteve no auge de sua extensão - tenha havido tão pouco progresso nas ciências, comparado com alguns séculos antes e muitos depois.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

As heresias de F. Dyson

Freeman Dyson é um físico norte-americano que deu importantes contribuições para a teoria quântica dos campos. Uma das mais importantes foi mostrar que a formulação de Feynman para a Eletrodinâmica Quântica (usando integrais de trajetória) é equivalente à formulação (canônica) de Schwinger e Tomonaga.

Em agosto deste ano, ele publicou o que chamou de "Pensamentos heréticos sobre ciência e sociedade". O primeiro destes pensamentos é que as heresias são necessárias. Em minha opinião, isso não chega a ser heresia, já que todo cientista sério concorda que a ciência necessita de gente que questiona as bases. Embora, é claro, tais heresias não são sempre recebidas de braços abertos. Dyson conta a história de um colega seu (Tommy Gold), que teve dificuldades em ter suas teorias aceitas... Mas este exemplo já está no texto do Dyson... Eu cito outro exemplo: No livro "Uma breve história de quase tudo", Bill Bryson conta a história do geólogo canadense Lawrence Morley, que encontrou dificuldades em publicar seu artigo (e portanto é desconhecido hoje) sobre a expansão do fundo do Oceano. Esta expansão serve hoje como base para o Modelo da Deriva Continental (que afirma que os continentes se afastam aos poucos). Segundo Bryson, o editor da revista Journal of Geophysical Research comentou: "Tais especulações seriam interessantíssimas num coquetel, mas não é o tipo de coisa para ser publicada numa revista científica séria". Quando tais opiniões são desfavoráveis à uma idéia que mostrou-se certa, achamos ridículas. Mas acho que a resistência à novas teorias é um fenômeno natural e, até certo ponto, aceitável. Cabe ao desafiante mostrar-se certo. (É claro que tudo isso poderia ser feito com menos arrogância!)

O texto de Dyson, entretanto, é dedicado a apresentar a sua maior heresia: Ele considera exagero tudo o que é dito sobre as mudanças climáticas. Afirma, com razão, que o sistema que tratam é extremamente difícil de ser modelado e que suas previsões não são confiáves. Há muitas coisas que não entendemos bem e isso pode influir nos cálculos. Em entrevista à Scientific American em julho de 2007, por exemplo, o glaciólogo brasileiro Jefferson Simões afirma que o aquecimento global provoca um derretimento ínfimo do gelo antártico. Segundo Simões, até 2100, teríamos uma elevação de apenas 10cm no nível do oceano. A situação é diferente, entretanto, para o norte. A Groelândia, por exemplo, derrete em uma taxa bem mais elevada. (ATUALIZAÇÃO: Veja este link.)

Acredito que nosso conhecimento sobre o planeta não nos permite fazer previsões seguras. Mas acho que o exagero é importante (e aqui vai minha heresia). Penso que é melhor exagerar nestes efeitos do que mostrar toda a insegurança que temos nos dados. Eu sei do compromisso da ciência com a verdade e blá-blá-blá. Mas acho que para o público geral, os costumes não se modificariam se disséssemos que "modelos imprecisos de computador indicam que o efeito do homem é nocivo"... As empresas, com sua mínima "preocupação ambiental", só o fazem por que parte da população está assustada. Gosto da campanha exagerada que está sendo feita. É importante que os cientistas tenham ciência das falhas e inseguranças. Mas ao público e aos governos, dizemos que o mundo vai se acabar!!! (Rsrsrsrs)

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Ciência interessante.


"Quase 40% da população demonstra pouco interesse por assuntos de ciência e tecnologia por não entenderem do que se trata".

Ao fazer divulgação científica, devemos, mais do que dar informações, encantar o interlocutor. Nesse processo, uma explicação precisa de um fenômeno é desnecessária e maléfica. Uma vez convencido de que ciência é um assunto interessante, a própria pessoa busca por mais detalhes.

Um outro trecho do artigo:

"Do total da amostra de 2004 entrevistas, 27% apontaram que os jornalistas são os que inspiram maior confiança como fonte de informação. Logo em seguida vêm os médicos com 24%; cientistas que trabalham em universidades com 17%; religiosos, 13%; representantes de organizações de defesa do consumidor com 7%; cientistas que trabalham em empresas, 4%; escritores, 3%; militares, 3%; políticos, 1%".

Incrível!! É um lugar comum dizer que a imprensa é parcial e sensacionalista. E tanto se mostra casos de erros médicos, com mortes e aleijamentos. A medicina diz que o café faz mal. Depois, que faz bem... As leis da mecânica formuladas por Isaac Newton há 320 anos continuam valendo, para todos os corpos que vemos nas proximidades da Terra.