Fazer uma observação trivial é um modo de buscar a concórdia. Concluir o óbvio, portanto, não implica necessariamente uma incapacidade de pensar profundo, mas tão-somente um medo atroz de ser julgado.
Mostrando postagens com marcador Aforismos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aforismos. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 11 de junho de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
O Poeta
Gosta de poesia? O rapaz não entendeu a frase e virou-se pra pedir pra repetir, mas quando viu o poeta com o braço estendido e um papel na mão, fez um gesto negativo com a cabeça e seguiu seu caminho.
Gosta de poesia? Outro rapaz passou como se nada tivesse ouvido.
Gosta de poesia? Uma das duas moças que passavam rindo pegou o folheto que o poeta sacudia à sua frente e seguiu seu caminho, mas o homem apressou-se e elevou a voz. Só peço uma colaboração. A moça voltou dois passos e devolveu o folheto e pôs no rosto um sorriso desajeitado, moveu a cabeça de um lado para o outro e segiu com a amiga. Voltaram a rir depois de sete passos.
Gosta de poesia? A moça espantou-se com a abordagem súbita e virou-se para ver do que se tratava. Ergueu a mão aberta e a deixou parada no ar, indicando para ele parar o quer que estivesse fazendo. Voltou a caminhar na direção que seguia antes da perturbação.
Gosta de poesia? O rapaz pegou o folhetim e tencionava seguir. Mas o poeta o parou tocando lhe o ombro levemente. Só peço uma colaboração. O rapaz entregou o folhetim à moça que o acompanhava e tirou da carteira umas moedas, que entregou ao pedinte.
Poesia? Gosta de poesia? ...
Em cinquenta minutos o homem tinha conseguido apenas umas moedas que somavam menos de R$ 1,00. Haveria ali poesia?
Dizem que o dinheiro muda as pessoas. A falta, também. E, se mudamos com ou sem, nomear e classificar os agentes da mudança parece um mero exercício fútil que nos propomos para ocupar a mente.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
A sinceridade é uma virtude?
A sinceridade ao falar de si só é reconhecida como virtude no homem medíocre. Naquele melhor do que a maioria, a sinceridade é tomada por arrogância; e no homem ruim, essa mesma sinceridade não é nada mais do que sem-vergonhice.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sobre quem não fala bobagem
O sujeito que não fala bobagem é como aquele que não defeca. Este, com prisão de ventre, é de mau-humor doente, o que em nada é diferente da prisão da mente, que tem aquele outro demente.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
O amor egoísta e o altruísta
Ninguém é especial só por ser como é. Alguém só pode ser especialmente diferente se causa algo de especialmente diferente em mim.
Se te admiro, é porque quero eu ser como tu;
Se te ajudo, é porque quero eu mesmo livrar-me da imagem incômoda do teu sofrimento;
Se te acompanho, é porque quero eu tua companhia;
Se te ouço, é porque quero eu saber de ti;
O amor egoísta é tão duradouro quanto o ser que ama. Não é eterno mas preenche toda uma vida. É o mais próximo da eternidade que podemos chegar.
O amor altruísta é tão duradouro quanto a atenção que damos à cada jogador em um jogo de futebol, que parece ser o mais importante, mas ao perder a bola todos os outros subitamente ganham sua atenção. O que tem nossa atenção permanente é a bola.
O amor baseado em si mesmo é mais uniforme do que o baseado no outro: O amor altruísta é volúvel porque sempre há outros além do outro, e porque, se não considerarmos a interação com o eu, não há diferença entre um outro e outro. O altruísmo não pode fazer distinção, ele não vê distinção. Há muitos dos outros e um só de si.
O amor altruísta é para com a humanidade; entre duas pessoas só pode haver o amor egoísta!
Se te admiro, é porque quero eu ser como tu;
Se te ajudo, é porque quero eu mesmo livrar-me da imagem incômoda do teu sofrimento;
Se te acompanho, é porque quero eu tua companhia;
Se te ouço, é porque quero eu saber de ti;
O amor egoísta é tão duradouro quanto o ser que ama. Não é eterno mas preenche toda uma vida. É o mais próximo da eternidade que podemos chegar.
O amor altruísta é tão duradouro quanto a atenção que damos à cada jogador em um jogo de futebol, que parece ser o mais importante, mas ao perder a bola todos os outros subitamente ganham sua atenção. O que tem nossa atenção permanente é a bola.
O amor baseado em si mesmo é mais uniforme do que o baseado no outro: O amor altruísta é volúvel porque sempre há outros além do outro, e porque, se não considerarmos a interação com o eu, não há diferença entre um outro e outro. O altruísmo não pode fazer distinção, ele não vê distinção. Há muitos dos outros e um só de si.
O amor altruísta é para com a humanidade; entre duas pessoas só pode haver o amor egoísta!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Sobre os bons acontecimentos da vida
Engana-se quem pensa que os bons acontecimentos acontecem para gerar Felicidade! É tudo parte de um plano maquiavélico da Mãe Natureza.
A Natureza sabe que mais cedo ou mais tarde, a gente se acostuma com os mais terríveis acontecimentos e por isso criou os bons acontecimentos que acontecem apenas para evitar o quinto estágio de Kübler-Ross.
Com este fim, foi desenvolvido um mecanismo chamado Esperança. Por meio da Esperança, a Natureza consegue gerar as mais profundas dores. Ainda mais lancinates do que aquelas que as tragédias causam. Tão profundas são as feridas obtidas por meio do mecanismo da Esperança, que o mais provável seria que as pessoas desistissem da vida e buscassem a Paz Eterna no suicídio.... mas tão bem desenvolvido é o grande plano da Esperança que ela cria no infeliz a idéia de que ele deve continuar tentando; e o pobre infeliz se mantém na vida por mais tempo e assim sofre mais e mais, para alegria da Natureza que assiste a tudo com um prazer sádico!
A Natureza sabe que mais cedo ou mais tarde, a gente se acostuma com os mais terríveis acontecimentos e por isso criou os bons acontecimentos que acontecem apenas para evitar o quinto estágio de Kübler-Ross.
Com este fim, foi desenvolvido um mecanismo chamado Esperança. Por meio da Esperança, a Natureza consegue gerar as mais profundas dores. Ainda mais lancinates do que aquelas que as tragédias causam. Tão profundas são as feridas obtidas por meio do mecanismo da Esperança, que o mais provável seria que as pessoas desistissem da vida e buscassem a Paz Eterna no suicídio.... mas tão bem desenvolvido é o grande plano da Esperança que ela cria no infeliz a idéia de que ele deve continuar tentando; e o pobre infeliz se mantém na vida por mais tempo e assim sofre mais e mais, para alegria da Natureza que assiste a tudo com um prazer sádico!
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Cada caso é um caso
Tudo é insignificante. Caso a caso, porém, tudo parece importante, pois é tudo que temos... Mas não é!
sábado, 7 de novembro de 2009
"A melhor coisa que me aconteceu"
É fato notório que acontece no decorrer de uma vida coisas boas e ruins. E claramente cada um dos dois está associado à eventos anteriores: a pessoa que encontramos por acaso no ônibus é consequência de termos entrado naquele ônibus, que por sua vez é consequência de termos ido à parada na hora em que fomos, etc.
Se considerarmos um acontecimento bom da vida, é altamente improvável que a cadeia de eventos que o precede seja inteiramente constituída de outros bons eventos.
Quando tomamos um excelente evento para analisar, descobrimos algum ruim presente na cadeia precedente, e pensamos que a coisa ruim foi "a melhor coisa que nos aconteceu". Outros ainda colocam Deus no meio, sugerindo que a coisa ruim foi planejada para que a tal coisa excelente a sucedesse. Mas se o fato ruim não tivesse acontecido, alguma outra coisa excelente aconteceria!
Eu sei: Esse pensamento é repetido, e já apresentei aqui em outras palavras. Se o reeescrevo é apenas para fazer com que minha mente pare de chegar a esta conclusão.
Se considerarmos um acontecimento bom da vida, é altamente improvável que a cadeia de eventos que o precede seja inteiramente constituída de outros bons eventos.
Quando tomamos um excelente evento para analisar, descobrimos algum ruim presente na cadeia precedente, e pensamos que a coisa ruim foi "a melhor coisa que nos aconteceu". Outros ainda colocam Deus no meio, sugerindo que a coisa ruim foi planejada para que a tal coisa excelente a sucedesse. Mas se o fato ruim não tivesse acontecido, alguma outra coisa excelente aconteceria!
Eu sei: Esse pensamento é repetido, e já apresentei aqui em outras palavras. Se o reeescrevo é apenas para fazer com que minha mente pare de chegar a esta conclusão.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Ética relativística
Se houvesse apenas uma pessoa no Universo e esta tivesse oportunidade de realizar um único ato, não haveria nenhum sentido em qualificar este ato como bom ou mau.
São conceitos que somente fazem sentido em um contexto relativístico (quero dizer, somente se dizemos em relação a que nos referimos). Todos nós temos desejos. A realização de desejos parece ser um objetivo incutido em nós desde sempre. Este será nosso guia, nosso referencial.
Assim, suponha agora que esse (único) homem possa realizar mais atos. Chamamos de "boas ações" aquelas que permitem a este homem uma maximização na realização dos seus desejos. O desejo de bem-estar e sobrevivência qualificam como más condutas uso de drogas e o suicídio, por exemplo. (Estando bem de saúde e vivo, acreditamos que mais realizações serão possíveis a este homem).
Se mais gente há, o bom e o mau são definidos em relação aos desejos da sociedade, que por sua vez são definidos em relação aos desejos individuais dos componentes. O bem-estar da sociedade é um estado de colaboração mútua (pois este é o modo através do qual os indivíduos alcançam mais realizações e têm mais chances de realizar seus próprios desejos).
Usualmente, tomamos como preferencial o referencial da maioria... tanto que naturalmente supomos que há um sentido absoluto nisso, mas é apenas um referencial preferencial! Desejos individuais que implicam em um tolhimento dos desejos individuais de muitos outros indivíduos são qualificados como maus. As boas ações são aquelas que aumentam as possibilidades de realização de desejos para um grande número de outros indivíduos.
Obviamente, em alguns casos, as boas ações em relação à sociedade não são consideradas boas em relação ao indivíduo. Se um indivíduo contrai uma doença altamente contagiosa, o melhor para o grupo é isolá-lo. E isso é a procedimento considerado correto, ou bom, ainda que este isolamento privará o doente de muitas coisas, o que é uma má conduta no seu referencial.
Um problema aconteceria se exatamente a metade das pessoas ficassem doentes. O sentimento de compaixão resolve este dilema. A compaixão é a capacidade de se deliciar ao ver outra pessoa realizar seus próprios desejos. Por isso sentimos prazer nas histórias com final feliz. Assistir a uma peça de teatro é exercitar a nossa compaixão, nosso interesse nato nas realizações dos outros. Portanto, se todos nessa sociedade se compadecem entre si, os doentes concluirão que os sadios podem não ficar doentes, enquanto eles próprios já não serão sadios. Embora não tenham chances de obter melhoras pra si, o sentimento de compaixão os impele a crer que a boa ação neste caso é o isolamento.
O comportamento ético, portanto, seria um jogo de interesses, que pode ser resolvido sem a necessidade da criação de um Bem e um Mal para nos dizerem o que é bom e o que é mau. A natureza não é boa nem má. É apenas experiente, e conhecedora das consequências.
--------
P.S. O texto acima é influenciado pelo livro No Que Acredito, de Bertrand Russel. Não digo, entretanto, que apresento aqui uma síntese de suas idéias porque não sei se ele concordaria com o que escrevi, já que não cuidei em seguí-lo.
São conceitos que somente fazem sentido em um contexto relativístico (quero dizer, somente se dizemos em relação a que nos referimos). Todos nós temos desejos. A realização de desejos parece ser um objetivo incutido em nós desde sempre. Este será nosso guia, nosso referencial.
Assim, suponha agora que esse (único) homem possa realizar mais atos. Chamamos de "boas ações" aquelas que permitem a este homem uma maximização na realização dos seus desejos. O desejo de bem-estar e sobrevivência qualificam como más condutas uso de drogas e o suicídio, por exemplo. (Estando bem de saúde e vivo, acreditamos que mais realizações serão possíveis a este homem).
Se mais gente há, o bom e o mau são definidos em relação aos desejos da sociedade, que por sua vez são definidos em relação aos desejos individuais dos componentes. O bem-estar da sociedade é um estado de colaboração mútua (pois este é o modo através do qual os indivíduos alcançam mais realizações e têm mais chances de realizar seus próprios desejos).
Usualmente, tomamos como preferencial o referencial da maioria... tanto que naturalmente supomos que há um sentido absoluto nisso, mas é apenas um referencial preferencial! Desejos individuais que implicam em um tolhimento dos desejos individuais de muitos outros indivíduos são qualificados como maus. As boas ações são aquelas que aumentam as possibilidades de realização de desejos para um grande número de outros indivíduos.
Obviamente, em alguns casos, as boas ações em relação à sociedade não são consideradas boas em relação ao indivíduo. Se um indivíduo contrai uma doença altamente contagiosa, o melhor para o grupo é isolá-lo. E isso é a procedimento considerado correto, ou bom, ainda que este isolamento privará o doente de muitas coisas, o que é uma má conduta no seu referencial.
Um problema aconteceria se exatamente a metade das pessoas ficassem doentes. O sentimento de compaixão resolve este dilema. A compaixão é a capacidade de se deliciar ao ver outra pessoa realizar seus próprios desejos. Por isso sentimos prazer nas histórias com final feliz. Assistir a uma peça de teatro é exercitar a nossa compaixão, nosso interesse nato nas realizações dos outros. Portanto, se todos nessa sociedade se compadecem entre si, os doentes concluirão que os sadios podem não ficar doentes, enquanto eles próprios já não serão sadios. Embora não tenham chances de obter melhoras pra si, o sentimento de compaixão os impele a crer que a boa ação neste caso é o isolamento.
O comportamento ético, portanto, seria um jogo de interesses, que pode ser resolvido sem a necessidade da criação de um Bem e um Mal para nos dizerem o que é bom e o que é mau. A natureza não é boa nem má. É apenas experiente, e conhecedora das consequências.
--------
P.S. O texto acima é influenciado pelo livro No Que Acredito, de Bertrand Russel. Não digo, entretanto, que apresento aqui uma síntese de suas idéias porque não sei se ele concordaria com o que escrevi, já que não cuidei em seguí-lo.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Metafísica
A Metafísica é outra religião
Que não usa, entretanto,
O nome de Deus em vão.
Usa Vontade, a cega intuição,
O conhecer por sentimento;
A coisa-em-si; idéia de Platão.
Mas, como não há excomunhão,
Apenas discórdia de pensamento,
Parece mais pura esta devoção.
Que não usa, entretanto,
O nome de Deus em vão.
Usa Vontade, a cega intuição,
O conhecer por sentimento;
A coisa-em-si; idéia de Platão.
Mas, como não há excomunhão,
Apenas discórdia de pensamento,
Parece mais pura esta devoção.
segunda-feira, 2 de março de 2009
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Advertência
Nos romances e novelas, freqüentemente se encontra alguma variante da seguinte advertência:
Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.Pois bem, livros de divulgação científica deveriam conter algo semelhante... algo como:
Esta é uma obra de divulgação. Como tal, faz uso de analogias e simplificações, que não qualificam o leitor a discutir os fundamentos da teoria. O propósito desta obra é tão somente convidar o leitor ao estudo aprofundado para, só depois desse estudo criterioso, nos ajudar no entendimento da Natureza, discutindo as idéias aqui introduzidas.Seria até bom que esse tipo de aviso fosse obrigatório, como aqueles de saúde em maços de cigarro...
domingo, 22 de junho de 2008
O cientista apaixonado
O sentimento de paixão é bom para o apaixonado. Mas nem sempre o é para o objeto de sua paixão.
Também é assim com o sentimento de paixão com que o cientista encara o seu estudo. Os mistérios convidativos e a beleza da Natureza enchem os corações dos pesquisadores, que têm o seu momento de gozo no momento da descoberta.
O dito popular é que a paixão é cega. Essa cegueira faz com que o cientista pense ser a ciência algo tão belo que não precisa de adornos ou propaganda. Com isso, perdemos mentes para a religião que adorna seus deuses e acolhe seus seguidores.
Também é assim com o sentimento de paixão com que o cientista encara o seu estudo. Os mistérios convidativos e a beleza da Natureza enchem os corações dos pesquisadores, que têm o seu momento de gozo no momento da descoberta.
O dito popular é que a paixão é cega. Essa cegueira faz com que o cientista pense ser a ciência algo tão belo que não precisa de adornos ou propaganda. Com isso, perdemos mentes para a religião que adorna seus deuses e acolhe seus seguidores.
segunda-feira, 3 de março de 2008
É importante duvidar!
O desenho acima, do cartunista Sidney Harris, me lembra uma frase famosa de Carl Sagan:"Uma afirmação extraordinária exige evidências extraordinárias."... Por vezes as pessoas falam que os cientistas são céticos e que são fechados para novas idéias e até acontece de ouvirmos críticas aos contemporâneos de alguns gênios do passado, cujas teorias não foram aceitas facilmente. Mas é fácil criticá-los quando nossa perspectiva da história nos fornece a vantagem de saber quais idéias eram boas e quais eram ruins. Vejo muita gente dizendo que devemos duvidar do que é tido como certo pelos outros e das teorias vigentes. Mas poucas pessoas enfatizam como é importante duvidar do novo também. Passam a idéia de que duvidar do antigo é revolucionário e original, a própria personificação do gênio. Enquanto que duvidar do novo revela um conservadorismo prejudicial e uma visão bitolada do mundo. Escondidas nos registros históricos, deve haver muitas idéias para as quais a rigidez em aceitar o novo nos salvou de dar um passo atrás...
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Aniversário
Todo ano a mesma coisa: "Parabéns, felicidades e tal". O que não vem, senão acompanhado da pergunta natural que se faz o próprio aniversariante: "O que esse dia tem de especial? Estão me parabenizando pelo que, afinal? Já que não foi por mérito meu que vim ao mundo...".
Ao que parece, há, sim, algo de especial neste dia. É uma quebra na invariância temporal à que estamos acostumados. Por vezes, o tempo nos parece o mesmo em todas as direções e se pensamos em fazer algo, qualquer pequeno contratempo justifica um adiamento. Afinal, "amanhã", é igual a "hoje". Não posso hoje, mas farei amanhã, por certo. Chegando o amanhã, novos contratempos. "Trabalho...." E pior é o caso dos velhos amigos. Ligar? Pra que? Dizer o que? "Hoje não estou muito pra conversa. Um dia eu ligo..." Quando somos deixados à escolher algo, muitas vezes não conseguimos lidar com isso e preferimos seguir alguma diretriz já estabelecida.
E foi assim que em algum momento, alguém teve a idéia genial de criar um período que por definição seria diferente. Tudo isso pode ser posto como um problema matemático cuja solução seria de grande importância para a sociedade:
Mas é claro que a duração deste momento é de fundamental importância... se marcássemos uma hora para cada ente querido, teríamos pouca mobilidade. Sem contar que quem tem bons amigos logo rejeitaria tal proposta, afirmando que "uma hora é muito pouco". Dessa vez, o grupo daqueles com bons amigos ganhou. Cada pessoa tem um dia inteiro pra si. A coisa à esta altura já estava praticamente resolvida quando alguém lembrou que restava ainda um detalhe. Dado algum q, qual seria o i correspondente?. Ou seja, faltava definir a função f: Q -> I.
Algum sábio (que, por descuido, não tem seu nome registrado na História), decidiu que f seria simplesmente o nascimento. Então, f(q) = Nascimento de q. Afinal, esta função estaria bem definida para todos os habitantes do planeta, em qualquer época futura ou passada. Até mesmo Jesus Cristo, que não nasceu do modo usual, tem a si um dia associado! E mais: cada pessoa tem apenas uma data pra si. Novamente, até mesmo Jesus que tem duas datas de morte, tem uma única de nascimento.
E assim ficou decidido. A idéia foi um sucesso. Até hoje, as pessoas comentam "Vamos comemorar! Afinal, não é todo dia que se faz aniversário". E modificam seus planos e fazem um esforço para ver ou falar com a pessoa querida ao menos uma vez a cada ano: "Hoje é aniversário do Fulano, tenho que ir"...
Então, resumindo, parabenizam pela sua existência. Não é que as pessoas não estejam felizes por sua existência nos outros dias. É que em somente um dia por ano, dizem isso. O aniversário é apenas o dia previamente combinado para fazê-lo.
Ao que parece, há, sim, algo de especial neste dia. É uma quebra na invariância temporal à que estamos acostumados. Por vezes, o tempo nos parece o mesmo em todas as direções e se pensamos em fazer algo, qualquer pequeno contratempo justifica um adiamento. Afinal, "amanhã", é igual a "hoje". Não posso hoje, mas farei amanhã, por certo. Chegando o amanhã, novos contratempos. "Trabalho...." E pior é o caso dos velhos amigos. Ligar? Pra que? Dizer o que? "Hoje não estou muito pra conversa. Um dia eu ligo..." Quando somos deixados à escolher algo, muitas vezes não conseguimos lidar com isso e preferimos seguir alguma diretriz já estabelecida.
E foi assim que em algum momento, alguém teve a idéia genial de criar um período que por definição seria diferente. Tudo isso pode ser posto como um problema matemático cuja solução seria de grande importância para a sociedade:
Seja Q = {q°, q¹, q², q³, ...} o conjunto dos entes queridos e seja I = {i°, i¹, i², i³, ...} o conjunto formado por intervalos de tempo. Encontre f: Q -> I.O primeiro ponto a ser decidido seria a escolha destes intervalos. Escolher um por pessoa, tornaria os encontros muito esparsos entre si... Sendo vários por pessoa, teríamos uma complicação no problema. Afinal, começamos por querer escolher um momento para cada pessoa querida e terminamos por ter que decidir vários. O melhor, então, seria que fossem periódicos, e nesse serviço, a Natureza nos daria exemplos e apoio. Temos o ciclo do Sol, da Lua e das Estações, para citar apenas os mais evidentes. O ciclo do Sol é muito curto e algumas pessoas não são tão queridas assim a ponto de querermos vê-las a todo dia... Deve ter sido alguém com um amigo deste tipo que propôs o ciclo das Estações. Sua idéia foi acatada e hoje cada ente querido tem um momento para si uma vez por ano, pelo menos. Um momento em que ele se destacaria dentre todos os outros e teria direitos e atenções.
Mas é claro que a duração deste momento é de fundamental importância... se marcássemos uma hora para cada ente querido, teríamos pouca mobilidade. Sem contar que quem tem bons amigos logo rejeitaria tal proposta, afirmando que "uma hora é muito pouco". Dessa vez, o grupo daqueles com bons amigos ganhou. Cada pessoa tem um dia inteiro pra si. A coisa à esta altura já estava praticamente resolvida quando alguém lembrou que restava ainda um detalhe. Dado algum q, qual seria o i correspondente?. Ou seja, faltava definir a função f: Q -> I.
Algum sábio (que, por descuido, não tem seu nome registrado na História), decidiu que f seria simplesmente o nascimento. Então, f(q) = Nascimento de q. Afinal, esta função estaria bem definida para todos os habitantes do planeta, em qualquer época futura ou passada. Até mesmo Jesus Cristo, que não nasceu do modo usual, tem a si um dia associado! E mais: cada pessoa tem apenas uma data pra si. Novamente, até mesmo Jesus que tem duas datas de morte, tem uma única de nascimento.
E assim ficou decidido. A idéia foi um sucesso. Até hoje, as pessoas comentam "Vamos comemorar! Afinal, não é todo dia que se faz aniversário". E modificam seus planos e fazem um esforço para ver ou falar com a pessoa querida ao menos uma vez a cada ano: "Hoje é aniversário do Fulano, tenho que ir"...
Então, resumindo, parabenizam pela sua existência. Não é que as pessoas não estejam felizes por sua existência nos outros dias. É que em somente um dia por ano, dizem isso. O aniversário é apenas o dia previamente combinado para fazê-lo.
sábado, 1 de dezembro de 2007
Idéia para bancos e supermercados
Não seria legal ter caixas de auto-atendimento nos bancos programados para fazer uma única operação por cartão? Isso evitaria, por exemplo, que alguém espere muito tempo só para sacar míseros R$ 10,00, esperando (início de mês é terrível...) as pessoas que têm que pagar conta, tirar saldo, sacar, transferir, etc.
Para os supermercados, penso que seria uma boa a criação de um caixa que não dá troco. Quem já tem o dinheiro trocado, tem a vantagem de usá-lo. Se sua compra custa R$ 0,98 e vc tem R$ 1,00 e está disposto a "comprar" um naco de tempo por R$ 0,02 vc também poderia usá-lo.
Mas já me disseram que isso não seria factível. Sei lá, mas estas idéias voltam sempre que estou numa fila.
Para os supermercados, penso que seria uma boa a criação de um caixa que não dá troco. Quem já tem o dinheiro trocado, tem a vantagem de usá-lo. Se sua compra custa R$ 0,98 e vc tem R$ 1,00 e está disposto a "comprar" um naco de tempo por R$ 0,02 vc também poderia usá-lo.
Mas já me disseram que isso não seria factível. Sei lá, mas estas idéias voltam sempre que estou numa fila.
sábado, 24 de novembro de 2007
Arte, Matemática, Física e Engenharia
O que o homem não consegue imaginar, eu não sei o que é (pois não consigo imaginar o que seja). Aquilo que a mente humana consegue conceber e desperta o interesse de outra mente, é chamado de Arte. Dentre as coisas que despertam interesse, há aquelas que têm uma lógica (ou seja, não são contraditórios entre si) e esse subconjunto de pensamentos é a Matemática. Além disso, dentre os pensamentos que têm lógica, há aqueles que de fato existem na Natureza (i.e., são representações mentais de fenômenos naturais que nos cercam); e lidar com estes pensamentos é tarefa da Física. Por fim, entre as coisas que podemos conceber, são interessantes, têm lógica e existem na Natureza, há aquelas que podemos manipular e esse é o interesse da Engenharia.... Para algumas pessoas somente é útil aquilo que podemos conceber, é interessante, tem lógica, existe na Natureza e cuja manipulação gera dinheiro.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Da capacidade de admiração
Para apreciar a beleza de uma resposta, é necessário compreender a profundidade da pergunta.
É por isso, no meu entender, que acontece coisas como a que aconteceu comigo quando estava no segundo grau e tive que ler - e odiei - o poema Morte e Vida Severina, que me pareceu um excelente texto quando o
reli anos depois. Entendo que nas artes há a beleza evidente e aquela oculta. A beleza oculta na poesia de Camões está na estrutura dos versos e a beleza oculta da pintura de Escher está no jogo que ele procura fazer com a representação de três dimensões em apenas duas. Em outras palavras, para apreciar a beleza de um triângulo de Penrose (ao lado) é necessário compreender que aquilo que está diante de si é uma representação do impossível.
Com tudo isso em mente, entendo que a ciência nos mostra a beleza oculta da Natureza. É buscando compreendê-la que entendemos o quão delicada e sofisticada é. E isso me lembra este vídeo, de Richard P. Feynman:
(resumidamente, em tradução livre):
É por isso, no meu entender, que acontece coisas como a que aconteceu comigo quando estava no segundo grau e tive que ler - e odiei - o poema Morte e Vida Severina, que me pareceu um excelente texto quando o
reli anos depois. Entendo que nas artes há a beleza evidente e aquela oculta. A beleza oculta na poesia de Camões está na estrutura dos versos e a beleza oculta da pintura de Escher está no jogo que ele procura fazer com a representação de três dimensões em apenas duas. Em outras palavras, para apreciar a beleza de um triângulo de Penrose (ao lado) é necessário compreender que aquilo que está diante de si é uma representação do impossível.Com tudo isso em mente, entendo que a ciência nos mostra a beleza oculta da Natureza. É buscando compreendê-la que entendemos o quão delicada e sofisticada é. E isso me lembra este vídeo, de Richard P. Feynman:
(resumidamente, em tradução livre):
"Tenho um amigo artista que [...] mostra uma flor e me diz: 'Veja como é bonita. Como artista, eu vejo esta beleza. Vocês cientistas a dividem em partes e a analisam e ela se torna uma coisa chata!', mas eu não concordo com ele. A beleza que ele vê pode ser vista por outras pessoas, inclusive por mim. Mas ao mesmo tempo, eu vejo muito mais naquela flor, pois eu vejo as células e os processos todos que ocorrem nesta escala tão pequena, em que também há beleza. Quero dizer, há beleza também na estrutura interna da flor, além daquela visível a olho nu."
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Uso apropriado da fonte
Quando apresentamos uma idéia que lemos em algum lugar, devemos defendê-la usando argumentos próprios e pertinentes à questão. Nunca usar a fonte como argumento. Se você entendeu e concorda com os argumentos da fonte, é completamente desnecessário dizer o nome do autor para dar suporte à idéia.
---------
P.S. Mas por vezes é necessário que a fonte seja dita explicitamente para que não se deixe uma impressão sobre quem defende a idéia (sem tê-la criado) além de suas reais capacidades intelectuais.
---------
P.S. Mas por vezes é necessário que a fonte seja dita explicitamente para que não se deixe uma impressão sobre quem defende a idéia (sem tê-la criado) além de suas reais capacidades intelectuais.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Preconceitos sobre o preconceito
Há quem diga que os preconceitos são maléficos. Não são. A habilidade de julgar alguma coisa antes de conhecer é fundamental para nossa segurança em muitos casos. É assim que tomamos decisões. Não conhecemos o futuro. Baseamos-nos tão somente nos nossos pré-julgamentos. E estes últimos baseiam-se em experiências anteriores que tivemos, ainda que tais experiências não tenham sido nem vastas, nem completas e, muitas vezes, nem livre de enganos.
O problema começa quando estes pré-julgamentos são usados para justificar o injustificável. Você é LIVRE para ACHAR que alguém que vc acabou de conhecer não é capaz, que é sujo, ou perigoso, ou que é estúpido, corrupto, etc. Mas vc NÃO pode agir COMO SE ele fosse tudo isso! Devemos ter em mente que preconceitos são preconceitos, apenas. Que são esboços sujeitos a reparos. Devemos considerar a possibilidade de estarmos errados em nossa hipótese inicial.
Recentemente, James Watson, que fora um dia aclamado como um "benfeitor da humanidade" (em princípio, condição necessária para se ganhar um Prêmio Nobel), foi imensamente criticado por ter declarado que negros são menos inteligentes do que brancos por razões genéticas. O deslize de Watson é evidente: Como uma autoridade no assunto, sua opinião pode ser tomada como um fato científico e justificar maltratos maiores à gente que já sofre muito.
O preconceito sobre o preconceito é tanto que há preconceitos que têm o mesmo caráter daquele racial, mas é, entretanto, apoiado pelo povo. Para dar um exemplo recente, o filme Tropa de Elite retrata uma polícia violenta e corrupta. Quando alguém sai do filme dizendo que os policiais são violentos e corruptos, essa opinião não é atacada. O mesmo para os políticos corruptos. Ninguém acha absurdo a classe de piadas que tem como elemento central o fato de que "não existe político honesto", ou que "todos os políticos vão para o Inferno". Por outro lado, o filme Cidade de Deus retrata uma favela violenta e cruel. Mas não se diga que favelados são violentos e cruéis. Piadas sobre isso são chamadas "humor negro", ou "de mal gosto".
É claro que não estou defendendo aqui que as pessoas que vivem em favelas são todas ligadas ao tráfico. O argumento é justamente o inverso. Quero convencê-los de que xingar e criticar toda a classe de políticos e policiais deve ser condenável tanto quanto falar da favela quando se vê o caso de um traficante. O mesmo para atores, ou cantores de axé, ou negros, ou playboys, ou gays, ou...
Novamente: Preconceitos não são ruins. Ruins são os usos. Xingamentos, violências e humilhãções são coisas ruins quer estejam baseadas em preconceitos, ou não.
O problema começa quando estes pré-julgamentos são usados para justificar o injustificável. Você é LIVRE para ACHAR que alguém que vc acabou de conhecer não é capaz, que é sujo, ou perigoso, ou que é estúpido, corrupto, etc. Mas vc NÃO pode agir COMO SE ele fosse tudo isso! Devemos ter em mente que preconceitos são preconceitos, apenas. Que são esboços sujeitos a reparos. Devemos considerar a possibilidade de estarmos errados em nossa hipótese inicial.
Recentemente, James Watson, que fora um dia aclamado como um "benfeitor da humanidade" (em princípio, condição necessária para se ganhar um Prêmio Nobel), foi imensamente criticado por ter declarado que negros são menos inteligentes do que brancos por razões genéticas. O deslize de Watson é evidente: Como uma autoridade no assunto, sua opinião pode ser tomada como um fato científico e justificar maltratos maiores à gente que já sofre muito.
O preconceito sobre o preconceito é tanto que há preconceitos que têm o mesmo caráter daquele racial, mas é, entretanto, apoiado pelo povo. Para dar um exemplo recente, o filme Tropa de Elite retrata uma polícia violenta e corrupta. Quando alguém sai do filme dizendo que os policiais são violentos e corruptos, essa opinião não é atacada. O mesmo para os políticos corruptos. Ninguém acha absurdo a classe de piadas que tem como elemento central o fato de que "não existe político honesto", ou que "todos os políticos vão para o Inferno". Por outro lado, o filme Cidade de Deus retrata uma favela violenta e cruel. Mas não se diga que favelados são violentos e cruéis. Piadas sobre isso são chamadas "humor negro", ou "de mal gosto".
É claro que não estou defendendo aqui que as pessoas que vivem em favelas são todas ligadas ao tráfico. O argumento é justamente o inverso. Quero convencê-los de que xingar e criticar toda a classe de políticos e policiais deve ser condenável tanto quanto falar da favela quando se vê o caso de um traficante. O mesmo para atores, ou cantores de axé, ou negros, ou playboys, ou gays, ou...
Novamente: Preconceitos não são ruins. Ruins são os usos. Xingamentos, violências e humilhãções são coisas ruins quer estejam baseadas em preconceitos, ou não.
Assinar:
Postagens (Atom)