terça-feira, 13 de novembro de 2007

Da capacidade de admiração

Para apreciar a beleza de uma resposta, é necessário compreender a profundidade da pergunta.

É por isso, no meu entender, que acontece coisas como a que aconteceu comigo quando estava no segundo grau e tive que ler - e odiei - o poema Morte e Vida Severina, que me pareceu um excelente texto quando o reli anos depois. Entendo que nas artes há a beleza evidente e aquela oculta. A beleza oculta na poesia de Camões está na estrutura dos versos e a beleza oculta da pintura de Escher está no jogo que ele procura fazer com a representação de três dimensões em apenas duas. Em outras palavras, para apreciar a beleza de um triângulo de Penrose (ao lado) é necessário compreender que aquilo que está diante de si é uma representação do impossível.

Com tudo isso em mente, entendo que a ciência nos mostra a beleza oculta da Natureza. É buscando compreendê-la que entendemos o quão delicada e sofisticada é. E isso me lembra este vídeo, de Richard P. Feynman:



(resumidamente, em tradução livre):
"Tenho um amigo artista que [...] mostra uma flor e me diz: 'Veja como é bonita. Como artista, eu vejo esta beleza. Vocês cientistas a dividem em partes e a analisam e ela se torna uma coisa chata!', mas eu não concordo com ele. A beleza que ele vê pode ser vista por outras pessoas, inclusive por mim. Mas ao mesmo tempo, eu vejo muito mais naquela flor, pois eu vejo as células e os processos todos que ocorrem nesta escala tão pequena, em que também há beleza. Quero dizer, há beleza também na estrutura interna da flor, além daquela visível a olho nu."

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